Monóxido de carbono é associado a menor risco de Parkinson, aponta pesquisa; entenda os limites do achado
Mulher atravessa avenida em Pequim, na China, em dia de forte poluição. Pesquisa com mais de 500 mil adultos chineses encontrou associação entre níveis mai...
Mulher atravessa avenida em Pequim, na China, em dia de forte poluição. Pesquisa com mais de 500 mil adultos chineses encontrou associação entre níveis mais altos de monóxido de carbono exalado e menor risco de Parkinson. AP Photo/Andy Wong Pessoas que nunca fumaram, mas apresentavam níveis mais altos de monóxido de carbono no ar exalado, tiveram menor risco de desenvolver doença de Parkinson ao longo de cerca de 12 anos, mostra uma pesquisa com mais de 500 mil adultos na China. O achado chama atenção porque há décadas estudos observam algo aparentemente contraditório: fumantes costumam apresentar menor risco de Parkinson, apesar de o cigarro aumentar o risco de câncer, doenças cardiovasculares, AVC e morte. A nova análise sugere que essa relação pode ter participação do monóxido de carbono, um dos gases liberados na queima do tabaco, e não do cigarro em si. “Entre pessoas que nunca fumaram, níveis mais altos de monóxido de carbono exalado foram associados a menor risco de Parkinson”, disseram os autores no estudo. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Publicado na prestigiada revista "JAMA Neurology" nesta terça-feira (08), o trabalho acompanhou 512.701 participantes de 30 a 79 anos em dez regiões da China. Ao longo do período, foram registrados 1.131 casos de Parkinson. ➡️ Entre quem nunca fumou, níveis de monóxido de carbono de 3 partes por milhão ou mais no ar exalado foram associados a um risco cerca de 30% menor da doença em comparação com níveis abaixo desse valor. A relação continuou aparecendo mesmo após ajustes para fatores como exposição passiva à fumaça e uso de carvão ou madeira em casa. “A novidade é que os autores mediram diretamente o monóxido de carbono exalado e encontraram que, mesmo entre pessoas que nunca fumaram, níveis mais altos se associam a um menor risco de Parkinson”, disse José A. Morales-García, pesquisador da Universidade Complutense de Madri, em comentário ao Science Media Centre España. LEIA TAMBÉM: Pílula contra câncer de pâncreas que fez médicos chorarem é aprovada nos EUA Câncer de ex-comissária da Air France é reconhecido como doença profissional na França Por que alguns são mais propensos à depressão que outros? Pesquisa, liderada por brasileiros, aponta novo caminho para os tratamentos do HIV O que o resultado mostra — e o que não mostra O estudo é observacional. Isso significa que ele identifica uma associação entre níveis mais altos do gás e menor risco de Parkinson, mas não permite concluir que o monóxido de carbono seja a causa dessa redução. ❗Também não significa que fumar traga qualquer benefício. No mesmo trabalho, o tabagismo habitual apareceu associado a risco maior de câncer de pulmão, doença cardíaca, AVC e morte por todas as causas. “Esses resultados não significam em nenhum caso que fumar seja benéfico ou que se deva fumar para prevenir o Parkinson”, acrescentou Morales-García. O monóxido de carbono é conhecido principalmente como um gás tóxico e pode causar intoxicação grave em concentrações elevadas. Em pequenas quantidades, porém, ele também é produzido naturalmente pelo organismo e participa de processos celulares. Pesquisas em laboratório e com animais já haviam levantado a hipótese de que doses baixas do gás possam ter efeitos sobre células nervosas. LEIA TAMBÉM: Espécie achada em esterco de gado pode explicar a origem do 'cogumelo mágico' mais cultivado do mundo Cientistas encontram fóssil de tiranossauro gigante que pode ser parente antigo do T. rex Estudos sugerem que o Sol 'fugiu' do centro da Via Láctea junto com estrelas gêmeas Novo tratamento que traz esperança para reduzir os sintomas de pacientes com Parkinson A pesquisa também tem limitações. Os participantes eram todos da China, onde fatores como hábitos de tabagismo, poluição e exposição a combustíveis domésticos podem ser diferentes dos observados em outras populações. Por isso, os próprios especialistas defendem que a associação seja testada em outros grupos antes de conclusões mais amplas. Morales-García afirma ainda que os resultados podem reforçar pesquisas sobre o uso de doses muito baixas e controladas de monóxido de carbono em estudos sobre Parkinson, mas ressalta que essa possibilidade ainda está longe da prática médica. “É uma via promissora, mas ainda experimental e sem nenhuma aplicação clínica imediata”, disse o pesquisador. O tremor em uma das mãos pode estar entre os primeiros sintomas da doença de Parkinson. PicsbyAnnyk para Pixabay LEIA TAMBÉM: Genes dos morcegos podem ajudar a combater o câncer? Febre do Nilo Ocidental: veja o que se sabe dos casos no país; maioria das infecções não causa sintomas Seu filho quer um cachorro? Estudo mostra o que importa nessa relação